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POR UM BRASIL MAIS DIREITO - 27SET09
Ah, mas Lula é adorado no Nordeste! Tá bom...
Lula e a Poesia da Miséria
No governo FHC, que atendia a cinco milhões de famílias com assistência direta — na abastança, Lula ampliou para 11 milhões —, as ações do que agora se chama Bolsa Família eram classificadas pelos petistas (e pela imprensa) como “medidas compensatórias para minimizar os efeitos do reajuste neoliberal da economia”. Hoje, transformaram-se em programa de “transferência de renda”.
E Lula mandou bala naquela sua poesia meio chinfrim. “Como a gente pode esperar que uma criança que não toma café da manhã seja inteligente, se ela levanta e vai dormir com a lombriga menor querendo comer a maior? Dê comida para essa criança, para chegar a uma escola”. Ou ainda: “Vamos ver o que vai ser dessa menina, que estava predestinada a ser mais uma menina sem futuro em Campina Grande. Ela vai ter uma profissão e vai poder construir sua vida independente. Essa menina é mais um exemplo daquilo que é a força motora do que me faz fazer política.”
Ai, ai. O assistencialismo é uma droga pesada.
Nordeste na mesma
Estudo da Fundação Getúlio Vargas, por exemplo, prova que renda maior não mudou o Nordeste. Isso significa que os efeitos positivos do programa, especialmente no consumo, existem enquanto a doação de recursos continuar. É simples assim. Pode-se até falar, se alguém quiser insistir na idéia, em doação de renda — assim como podemos doar o que não nos faz falta ou nos é supérfluo. Mas transferência de renda??? Lembro os três primeiros parágrafos de reportagem do Estadão a respeito, com base num estudo da Função Getúlio Vargas:
A renda da população do Nordeste, região mais carente do Brasil, cresceu nos últimos anos impulsionada pelo fortalecimento da economia nacional e pelos programas de transferência de recursos como o Bolsa-Família. O dado negativo é que isso não refletiu em melhora na qualidade de vida das pessoas que apenas sobrevivem nesses Estados e nem contribuiu para um desenvolvimento local sustentável.
Serviços essenciais a que todos deveriam ter acesso como saúde de qualidade, educação universal, moradia adequada e segurança apresentaram crescimento bem abaixo da média do aumento de renda.
Os dados são de uma pesquisa inédita feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) Projetos, que apresenta amplo diagnóstico das mazelas e conquistas socioeconômicas dos nove Estados nordestinos, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, entre os anos de 2001 e 2007.
O levantamento traça um retrato detalhado do atraso da região Nordeste com base em 36 microindicadores oficiais agrupados em oito temas: saneamento básico, qualidade de moradia, educação, segurança pública, renda, emprego, desigualdade e pobreza.
Muito bem. As ações do governo contra as condições estruturais do atraso foram muito modestas, especialmente no Nordeste, que, não obstante, virou palco preferencial do Bolsa Família. O programa é uma espécie de crack da assistência social: tem efeito imediato, vicia rapidamente e transforma os consumidores em zumbis dependentes dos fornecedores de pedra. “Ah, mas Lula é adorado no Nordeste”! Outros benfeitores já o foram antes dele. O fato de eu reconhecer a democracia como valor inegociável não implica que eu tenha de adotar os juízos da maioria. De jeito nenhum!
Digamos que um governo tenha de se preocupar, sim, em matar a fome das Isabelas do Brasil, tomadas em sua individualidade. A pergunta que interessa é como o país vai parar de criar as condições para que a miséria prospere, formando a horda de estado-dependentes do país. E, nesse caso, Lula dá uma escandalosa resposta prática.
Enquanto o discurso da miséria se traduz na miséria do discurso, com sua fanfarra assistencialista, ele dá apoio integral a José Sarney (aquele do Maranhão, ONDE EXISTE UMA ISABELA A CADA CANTO), a Renan Calheiros e, literalmente, ao que há de pior na política brasileira. Mais do que isso: esses progressistas, evidentemente, têm Schopenhauer Lula da Silva nas mãos, atado sabe-se lá a quantas chantagens políticas. O que sabemos é que o PMDB ameaçou Lula com a CPI da Petrobras e com o risco de não se alinhar com a candidatura Dilma. Imaginem, então, quais são os termos da negociação que não conhecemos.
Inteligentes que são, os meus caros leitores já chegaram sozinhos à síntese necessária. É o Brasil dos Sarneys e Renans, aliados de Lula, que dão à luz as condições miseráveis em que nascem as Isabelas, que serão, então, socorridas pelo assistencialismo de Lula, que, por sua vez, dá os braços aos Sarneys e aos Renans… Não! A síntese das sínteses ainda não é essa, mas esta: nesse Brasil, as Isabelas precisam, certamente, de Lula (o pai) e de Dilma (a mãe). Mas os dois precisam desesperadamente das Isabelas.
Sem as Isabelas, a dupla fica sem poesia.
HONDURAS: A VERDADE QUE NÃO QUEREM MOSTRAR
Bruno Pontes
O que está acontecendo é simples: subjugar Honduras é questão de honra para o Foro de São Paulo. Os bolivarianos não vão sossegar enquanto não conquistarem aquele território. Já tentaram diversas manobras. Cortaram programas de cooperação, enviaram agitadores profissionais, montaram circos diplomáticos para constranger as lideranças do país — apoiados por ninguém menos que o socialista chique Barack Hussein, é sempre bom ressaltar. Mas o tempo passa e Honduras resiste ao cerco. De pé, cabeça erguida. E essa marra os bolivarianos (nos governos e nos jornais) não toleram. A prioridade na agenda é destruir a fortaleza.
A comoção da quadrilha é compreensível: imagine ter seus planos frustrados pelas instituições representativas de um povo teimoso e alienado que não compreende os benefícios do socialismo do século XXI, tais como a submissão do indivíduo ao Estado e a estagnação econômica. Lula e Celso Amorim não cansam de reclamar, com ares de humanistas, que a reação hondurenha é inaceitável. O mundo não pode ficar calado! Nada de estranho no teor do protesto. Todo bandido considera inadmissível a ação da polícia.
A batalha de valores travada em Honduras envolve dois lados: a democracia liberal e a tirania socialista. Escolha o seu, porque a diplomacia petista já escolheu o dela. Quando Lula presta assessoria a Manuel Zelaya nas altas rodas da ONU, você deve lembrar que é o mesmo Lula que baba aos pés de Fidel Castro. É o mesmo Lula que vê na Venezuela “democracia até demais”. É o mesmo Lula que quer meter garganta abaixo dos hondurenhos um regime opressor.
A eleição presidencial em Honduras deve acontecer no fim de novembro. Você percebe a corrida contra o tempo? Os bolivarianos têm dois meses para dar o golpe final. Do contrário, os hondurenhos irão às urnas e Zelaya estará liquidado, será mais uma página tragicômica no manual do perfeito idiota latino-americano. Não é possível entender a atual operação do Foro de São Paulo sem ter este cronograma em mente. A jogada desde o início foi apostar na guerra civil, tentar encurralar o governo Micheletti no caos. Mas os hondurenhos seguem firmes, e o tempo está correndo. Abrigar Zelaya em nossa embaixada é a prova inequívoca: se for preciso incendiar Honduras para entronizar o novo ditador do pedaço, Lula atira o primeiro coquetel molotov.
Fonte: Mídia Sem Máscara
Divulgação: www.juliosevero.com